Edição 5

O Orfanato e o Mago

Iniciamos a sessão no leito do Hospital Anjo Dourado, onde Alma se recuperava sob os cuidados da ala especializada em xenomedicina. Após receber alta e reiniciar seu comunicador pessoal, uma enxurrada de mensagens acumuladas a aguardava. Entre elas, uma chamou sua atenção — a última, enviada no grupo da Nova Guarda: “Estamos indo para o orfanato.”Atlas.

Alma passou a mão sobre o transporte miniaturizado que trazia consigo, ativando-o. Em segundos, uma moto voadora surgiu — um presente de suas mães, que a aguardava para levá-la de volta à ação.


O Passado no Orfanato

No Orfanato Irmã Regina, a tensão era palpável. Lá fora, Márcio batia com força contra a porta da sala do diretor, tentando forçá-la, mas ela permanecia inerte. Do lado de dentro, Charles se concentrava, mergulhado em uma visão que o transportava dez anos no passado.

A misteriosa e poderosa figura de Fedora Exter parava, agachado em sua frente. Ao lado de Charles, Gabriela também encarava Fedora com terror em seus olhos, por vezes desviando o olhar e abaixando a cabeça. O mago sombrio os questionava sobre suas habilidades, seus poderes. “Vocês precisam enfrentar a realidade, encarar o poder de vocês. Vocês poderiam ser um pouco mais como ele.” Ao passo que Fedora mirava o olhar para o lado, onde uma criança estava. Ao redor, Charles não conseguia distinguir os rostos com clareza, mas reconheceu o dessa criança: Billy, um garoto com um sigilo místico marcado em sua testa. Com um simples movimento de mãos, Billy abriu o que parecia ser um miniportal sombrio. Charles, com apenas nove anos, sentiu o medo tomar conta de si e fugiu para dentro do orfanato, refugiando-se na brinquedoteca. Buscando conforto em seus brinquedos, ele pegou o seu favorito, o Black Mage — e, com seus poderes místicos latentes, o brinquedo ganhou vida, tentando acalmá-lo. Mas a tranquilidade durou pouco. Billy surgiu na porta, tomou o brinquedo de Charles e tentou convencê-lo a participar do treinamento de Fedora. O passado e o presente se entrelaçavam na mente do jovem herói.


O Encontro com Billy

Enquanto isso, no andar de cima, Fungo, Azurion, Atlas e Heian investigavam o estranho quarto de criança arrumado no meio do orfanato abandonado. Ao analisar os desenhos na parede, Atlas observou a assinatura no verso: “Billy”. Enquanto fazia isso, uma voz vindo de trás dele questionou: “Desenho bonito, não?” Ao virar para trás, Atlas notou de onde vinha a voz misteriosa.

Um jovem de cabelos longos e prateados, olhar penetrante, vestindo um longo kimono ou robe escuro, e com uma marca mística indelével na testa. Era Billy.

Os heróis ficaram tensos com a situação e fizeram diversas perguntas para essa figura indiscreta. Ele caminhava e conversava calmamente, tranquilo. “Procuro por Charles” — disse ele. Quando Castway acordou de sua visão, recebeu o alerta de Atlas de que Billy se encontrava no orfanato, e estava buscando por ele. O jovem herói pediu que o levassem para a sala do diretor. No meio tempo, Heian conduziu Billy entre algumas perguntas. Ele falou sobre como costumava fazer algumas visitas ao orfanato para meditar, e apenas riu quando Heian perguntou sobre as ordens místicas. “Não existe isso aqui.”

Fungo desceu por entre o piso buscando Castway, enquanto Azurion e Alma, que havia recém-chegado do hospital, observavam de longe, gravando pelo celular. Os heróis se reuniram na sala do diretor, observando a conversa entre os velhos amigos. Eles fizeram uma introdução amigável, ao mesmo tempo tensa. Castway questionou algumas coisas sobre a moral de Billy, ao que ele pareceu não se importar. Ele disse que veio para estender um convite a Castway: participar do propósito de seu mestre, encarar o destino da conjuração irrestrita. Ele, porém, também deixou claro que Castway não estava pronto. Ao fazer menção de sair, foi questionado sobre o incidente com Morgan. Ele respondeu que foi um teste que não deu certo, e que ainda precisaria de seus velhos amigos para cumprir o plano. Atlas se enfureceu com a resposta, e tentou tocar em Billy com um movimento rápido. Sua mão atravessou o corpo do conjurador, sendo teletransportada para o Vazio.

Billy riu, despediu-se, e conjurou um portal sombrio, sumindo dali. “Vocês não entenderam, eu não estou onde vocês estão!”


Divisão e Investigações

Posteriormente, a Nova Guarda partiu para investigar o antigo laboratório do Fungo, que para sua infelicidade, não existia mais. Frustrados, os heróis se dividiram: Atlas, Azurion, Fungo e Renshi foram visitar Morgan no hospital, enquanto Castway, Alma e Flecha Prateada foram se encontrar com a Force Field num fast-food.

Na visita a Morgan, um disfarce de Renshi garantiu a entrada deles na sala de internação. Os heróis, disfarçados pela ilusão de Renshi, questionaram Morgan, que se desculpou para seu “pai”, e disse que havia subornado um cientista, Endrick Adailton, para que lhe desse a droga. Os heróis captaram o local, contato e rosto do cientista com a leitura mental de Renshi, e escaparam dali, com Fungo se infiltrando no organismo de Morgan.

Paralelamente, uma conversa difícil acontecia no fast-food. Enquanto Castway conversava com Gabi sobre o que descobriu no orfanato, Márcio questionava a Force Field sobre o que havia acontecido. “Marina, vocês vão investigar o que aconteceu? Vão atrás dos responsáveis pela tragédia?” Marina rebateu, dizendo que a Force Field foi alocada em uma outra missão, e não poderiam seguir nesse caso. Márcio reprovou, dizendo que deveriam ir contra o que foi definido pela ADECC. Denis questionou, concordando com Márcio, mas Marina reforçou que o Sr. Hummels já tinha uma missão para eles. Márcio, decepcionado, apenas deixou o convite em aberto: quarta-feira, 17h, no Cinzeiro.


O Conselho de Magister

Enquanto os heróis estavam em suas atribuições paralelas, Heian partiu para sua casa, procurando Magister para fazer algumas perguntas. Ele interrompeu sua meditação e conversaram com um pouco de chá. Magister contou que o conselheiro da Ordem do Eclipse é o Fedora Exter, e que ele está sumido do Conselho há alguns anos, apenas fazendo aparições pontuais para não levantar ainda mais suspeitas. Ao mostrar o vídeo que Azurion fez, Heian questionou Magister sobre o poder de Billy, e ele respondeu que isso é uma manipulação do Vazio, uma das dimensões acessíveis pelo Interstício. Há alguns meses, a nossa realidade tem sofrido ataques de criaturas gigantescas vindas dessa dimensão. Por algum motivo, elas têm passado diretamente para a nossa dimensão. O ataque na ponte (Edição 1) é um exemplo disso.


Preparativos para Quarta-Feira

Depois de descansarem do longo dia de investigação, os heróis passaram seus dias aguardando a quarta-feira.

Heian, Renshi e Flecha Prateada organizaram um treinamento de luta com todos da equipe. Heian aproveitou para mostrar mais do seu poder para Atlas, que entendeu a real capacidade de seu amigo.

Flecha Prateada vasculhou a base com Renshi, retirando todos os dispositivos de vigia do Caçador. A base inteira era uma armadilha — uma teia de desconfiança tecida por Beto Aragão. Márcio decidiu dar um basta naquilo tudo. Elenora Sterling entrou em contato, na ocasião em que almoçaram juntos, e Elenora demonstrou preocupação com Márcio. Ela revelou: ela sabia que Márcio era o Flecha Prateada, e disse que percebia o Silver Hunter muito inquieto ultimamente. Ela estendeu seu apoio a Márcio e demonstrou estar empenhada em derrubar Enzo Costalarga.

Atlas treinou com seu pai, o herói Nº 1 Hopemaker. Ele o ensinou disciplinas em força, voo e resistência. Depois do treino, conduziu-o para a mansão Ward nos céus de Cidade-Central. Ele disse que precisava mostrar uma coisa para seu filho. Atrás de um quadro de família, revelou uma passagem secreta para um bunker — um espaço com mostruários, uniformes, artefatos e itens de missões passadas. Em especial, mostrou uniformes de Supremus, Defensora, Titânica e uns braceletes de sua avó materna. Ao final, entregou a Atlas um cartão com um endereço e um nome: Tomas Stilizat. “Você já mostrou que pode ser um grande herói, meu filho. Eu quis te mostrar isso pois, um dia, meu uniforme estará aqui, assim como o seu também.”

Azurion encarou suas redes sociais, onde era fortemente criticado por sua performance na tragédia no Ladoalto (Edição 3). Ele perdeu 64 mil seguidores de um dia para o outro. Comentários de ódio e cancelamento surgiram aos montes, mas uma crítica feriu profundamente: “Azurion já foi herói da Costech”.


O Santuário de Castway

Alma, Castway, Vessel e Heian se encontraram no orfanato. Após arrumar um pouco o local e ouvir nomes das crianças do orfanato pelos objetos, os heróis foram até a sala do diretor para meditar. Com ajuda de Heian, Castway alcançou a concentração necessária, e atravessou a estante de livros como um portal. Eles foram transportados para o Santuário de Castway — um lugar de horizonte infinito, coberto por um mar de objetos. Lá, ele conversou com Black Mage. Seus amigos, de maneira inédita, também foram capazes de ouvir as vozes do brinquedo. Ele contou que aquele é o espaço em que seu poder está concentrado no inconsciente — um espaço físico que não existe, uma dimensão mística. Na ocasião, o brinquedo contou que, com o tempo, Castway se lembrará das informações necessárias. Por ora, ele aprendeu uma nova capacidade de seu poder: Lacaio Animado.