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Narrativa em 3ª pessoa

“Silver Hunter não confiava nele. Ele nunca confiou.”

De volta à Base de Operações, Márcio não perdeu tempo. Ele havia sentido o peso da desconfiança por semanas, e a conversa com Marina apenas confirmara o que ele já suspeitava: a ADECC não era a única interessada em seus movimentos. O verdadeiro problema estava mais perto.

Junto com Renshi, Márcio iniciou uma varredura minuciosa da base. Câmeras. Microfones. Sensores de presença. Linhas de código escondidas em sistemas aparentemente inofensivos. Um a um, os dispositivos foram desmontados e desabilitados com a astúcia meticulosa de Renshi, que parecia ter um sexto sentido para encontrar o que não deveria estar ali.

Levou quase a tarde inteira. Quando terminaram, a base havia sido limpa — mas a revelação foi amarga. Cada canto daquela que deveria ser a casa deles era uma armadilha. Cada conversa, cada plano, cada momento de vulnerabilidade havia sido monitorado pelo Silver Hunter. Beto Aragão não confiava neles. Beto Aragão nunca confiara.

Márcio olhou para os cabos e chips empilhados sobre a mesa. Era o fim de uma era. Ele havia dado o primeiro passo para romper com o mentor — e não havia volta.