Revelações

Narrativa em 3ª pessoa

“Eu sou o Flecha Prateada e meus amigos são a Nova Guarda.”

Horas depois, Márcio recebeu uma mensagem que o fez parar tudo: Elenora Sterling queria conversar. Eles marcaram no mesmo restaurante próximo à agência, onde o movimento era constante e as conversas podiam se perder no burburinho.

Elenora já estava lá quando Márcio chegou. Seu olhar era o de quem sabia mais do que dizia. Ele sentou-se à frente dela, e pela primeira vez, tomou a decisão que vinha adiando há meses.

Márcio contou tudo. Quem ele era. Quem eram seus novos amigos. O que aconteceu na tragédia de Ladoalto. E, pela primeira vez, falou sobre Beto — sobre o Caçador Prateado, sobre os anos de treinamento, sobre a vigilância constante, sobre a teia de mentiras que o envolvia desde os treze anos.

A reação de Elenora não foi de surpresa. Ela confirmou. Ela sabia. Talvez não todos os detalhes, mas o suficiente para que a confissão de Márcio fosse mais um alívio do que um choque. Ele também sabia, mas precisava ouvir de seus próprios lábios.

— Meu pai deixou acessos — disse Elenora, baixando a voz. — Coisas que ele nunca compartilhou com a ADECC. Registros. Investigações. Evidências contra Enzo Costalarga. Se você quiser usar isso para continuar sua luta, está disponível.

Márcio respirou fundo. Era mais do que ele esperava.

Elenora ainda tinha mais uma informação: ela sabia sobre Atlas. Sobre o processo que Arthur pretendia mover contra a cidade. Não era um segredo que pudesse ser guardado por muito tempo, e ela queria que Márcio soubesse que tinha aliados entre os que, até então, eram apenas figurantes na história da Nova Guarda.

Depois disso, almoçaram. Pela primeira vez em semanas, Márcio sentiu que o peso sobre seus ombros não era apenas seu.

Do lado de fora do restaurante, o sol da tarde se punha sobre o Centro de Cidade Central. A cidade continuava girando — indiferente aos segredos que se desenrolavam em suas entranhas. Mas para a Nova Guarda, algo havia mudado. As amarras estavam se rompendo. E novos caminhos — perigosos, incertos, mas genuínos — se abriam diante deles.