O encontro no McDonald’s do Centro foi marcado por um clima de fachada. Márcio, Alma e Charles chegaram, e logo se juntaram a eles Marina, Dennis e Gabi da Force Field. Houve sorrisos genuínos com a recuperação de Alma — abraços, perguntas sobre a alta, um breve alívio no ar pesado que pairava sobre todos desde a Calourada Macabra.
Mas o alívio durou pouco.
Dennis Vaughan — Fauno — mal conseguia disfarçar o peso nos olhos. Ele carregava a tragédia de Ladoalto como uma marca invisível. Cada brincadeira forçada, cada tentativa de normalidade, esbarrava no silêncio que se instalava entre uma frase e outra. Alma tentou puxar conversa, Charles ofereceu um sorriso tímido, mas Dennis apenas balançava a cabeça, perdido em pensamentos que ninguém conseguia alcançar.
Foi então que Márcio, com sua precisão cirúrgica, cortou o ar:
— Marina, vocês vão investigar o que aconteceu? Vão atrás dos responsáveis pela tragédia? — a pergunta caiu como uma pedra no meio da mesa.
Marina Ward — Máxima — desviou o olhar. Seus dedos rodearam o copo de refrigerante antes de responder, com uma evasiva que Márcio já conhecia bem:
— Estamos em outra missão da ADECC. Não posso falar muito.
A resposta foi um balde de água fria. Márcio não recuou.
— Outra missão? Marina, dezenove pessoas morreram. Temos uma droga que está transformando pessoas em armas. Isso não é algo que se coloca em espera.
A tensão esticou o ar entre eles. Marina ergueu o olhar, e Márcio viu ali algo que não esperava: cansaço. Não desinteresse. Cansaço. Ela abriu a boca, hesitou, e por um momento pareceu que ia dizer algo além das desculpas protocolares. Mas então se levantou, pegou a mochila e deixou a mesa com um “Preciso ir”. O silêncio que ficou foi ensurdecedor.
Gabi — Vessel — acompanhou Marina com os olhos, mas permaneceu sentada. Dennis também não se moveu. Foi quando Márcio aproveitou o vácuo deixado pela saída de Máxima:
— Quarta-feira. Vamos encontrar os traficantes da Roxinha no Cinzeiro. — Ele olhou diretamente para Dennis. — Se quiserem ajudar, a Nova Guarda estará lá. Sem holofotes. Sem ADECC. Só nós.
Dennis ergueu o olhar. Algo naquele convite — na simplicidade da oferta — pareceu alcançá-lo. Ele não respondeu com palavras, mas um leve aceno indicou que a mensagem havia sido recebida.
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