Charles descobriu cedo que o mundo nunca estava em silêncio. As vozes das coisas — portas rangendo, paredes de tijolos, o colchão velho no orfanato — eram sua única companhia. Mas essa habilidade única é também sua maior solidão. Ninguém entende a sinfonia de ‘nada’ que ele ouve, e ele teme que, se alguém descobrir, será visto como um estranho.
Ao entrar na UFCC e se juntar à Nova Guarda, Charles encontrou em Alma e nos outros um silêncio confortável, uma chance de finalmente ter amigos de verdade, que não são feitos de madeira ou metal. Mas o eco do Orfanato Irmã Regina ainda o persegue, e ele se pergunta: ‘O que as paredes da minha nova casa têm a me dizer?’